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    seta_branca    Opinião de Nuno Cláudio

 

Muito azar teve Alenquer

2012-06-12

 

Opinião de Nuno Cláudio - Edição 223

 

No passado dia 27 de Maio e durante algumas horas a TVI mostrou ao país e ao mundo a história, a cultura e as potencialidades de Alenquer. À parte alguns aspectos do programa em causa, que roçam o intragável, a emissão teve o mérito de reavivar consciências em relação ao imenso potencial desta nossa terra, que nunca foi, tal como continua a não ser, aproveitado. Por esse país fora muitos foram os autarcas que suspiraram de inveja por não terem a oportunidade de gerir um município com as características de Alenquer, privilegiado pela geografia e pela história, rica em episódios memoráveis. Facilmente salta à vista que esta terra e este concelho têm características ímpares que constituem um imenso manancial de oportunidades, que com talento e competência na sua gestão e promoção constituiriam seguramente a tábua de salvação para a economia local, tal como sucede em Óbidos, para dar um exemplo a propósito. Alenquer teve, de facto, muito azar, mas mesmo muito azar com essa "fava" que lhe saiu na rifa e que se chama Álvaro Pedro. O município estagnou ao longo de 34 anos, sendo que nesse período apenas a construção desregrada e as economias pessoais do presidente conheceram o significado da palavra crescimento. A falta de capacidade do homem para o cargo era de tal forma gritante que apenas encontrava paralelo numa inexplicável cegueira colectiva, a mesma que permitiu a tão desconcertante personagem desgovernar os destinos de Alenquer ao longo de três décadas e meia. Foi um período negro na gloriosa história de Alenquer, durante o qual perdeu identidade, perdeu terreno e ficou irremediavelmente atrasado em relação aos municípios vizinhos, que prosperaram em qualidade de vida, em equipamentos sociais, desportivos e culturais, em eventos promocionais e em ordenamento urbano. o povo foi levado na cantiga - ou melhor, parte do povo, porventura os menos esclarecidos ou mais interessados na podridão do sistema, com o qual também tinha a ganhar - e proporcionou ao tal Álvaro Pedro três décadas e meia de uma vergonhosa acção (des)governativa, sem que tivesse o mínimo de capacidade sequer para gerir uma mercearia de 12 metros quadrados, quanto mais uma câmara municipal, com o devido respeito por muitos talentosos merceeiros que lêem o Fundamental e que não mereciam a afronta desta comparação. Foram três décadas e meia de promiscuidades excessivas com aqueles que construíam no concelho ou que eram fornecedores regulares da Câmara, com os quais o antigo presidente sempre comeu fartamente à mesa, abusando de forma condenável dos poderes do cargo para o qual foi eleito pelo povo, o qual deveria ter desempenhado tendo sobretudo em vista o interesse colectivo, o superior interesse de Alenquer e dos alenquerenses. Álvaro Pedro foi a maior nódoa na história secular de Alenquer, tendo votado o município a um atraso que levará muitas décadas a ser recuperado, uma vez que o mesmo é caracterizado não apenas por aspectos materiais mas sobretudo por uma preocupante desaprendizagem dos valores democráticos, dos aspectos motivacionais para servir a causa pública por parte de quem tem efectivamente capacidade e talento. A autarquia está à beira da ruína e tendo em conta o valor da dívida confrontado com o dinheiro que sobra do orçamento anual, depois de pagas as despesas fixas, Alenquer levará pelo menos um século até que fique livre dos encargos que resultam da demanda de Álvaro Pedro. Pelo contrário, o dito cujo vai gozando uma reforma abastada, sem privações e, mais revoltante, sem que alguma vez se perspective pagar pelo que fez ao concelho.

Nuno Cláudio

 

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